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PIODERMA GANGRENOSO: RELATO DE CASO

  1. T Rodrigues1
  2. T Simal1
  3. P Cavichiolli1
  4. V Petri2
  1. 1 Nucleo de Aprimoramente Médico Integrado Prof. Ancona Lopes/Santa Casa de SBC, Brazil
  2. 2 UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DE SAO PAULO, Brazil

INTRODUÇÃOPioderma gangrenoso é uma dermatose cutânea ulcerativa rara, descrita em 1930, por Brunsting e O´Larry, em doente com retocolite ulcerativa. De ocorrência universal, é idiopática em cerca de 50% dos casos. Ocorrem nódulos dolorosos, pústulas hemorrágicas ou múltiplas vesicopústulas, que evoluem para lesões ulceradas com bordas irregulares solapadas de cor cinza- chumbo com típico halo eritemato-violáceo. O fundo pode ser purulento ou granuloso com exsudato hemorrágico. Afeta, preferencialmente, membros inferiores, nádegas, abdome, ou face. Em 20% dos casos ocorre patergia, que corresponde ao desenvolvimento de lesão pos traumatismo mínimo. Evolução e prognóstico são imprevisíveis, visto que tratamentos distintos, tópicos e sistêmicos, têm resultados variáveis. RELATO DE CASOHome, 76 anos, natural de Birigui/SP, procedente de São Paulo/SP, com histórico de lesões perianais há 3 meses. Foram observadas lesões ulceradas com bordas elevadas e fundo recoberto por material seropurulento de progressão centrífuga, placas violáceas dolorosas, com bolhas e pústulas. Queixa de prurido e ardor locais.O exame histopatológico revelou edema na derme papilar, com infiltrado inflamatório linfomononuclear perivascular e polimorfonucleares neutrófilos. Não foram observadas células de inclusão viral, parasitas ou fungos.Excluídas as hipóteses de leishmaniose e outras afecções ulcerosas, foi instituída antibioticoterapia (azitromicina 500mg 1c/dia por 6 dias). Houve relativa melhora após duas semanas e a regressão total deu-se em 30 dias, restando áreas levemente atróficas. DISCUSSÃOA relevância da apresentação se deve à boa resposta à terapêutica instituída, uma vez que o tratamento do PG é controverso e não há protocolos estabelecidos. O tratamento de escolha corticosteróides (VO ou EV), com pulsoterapia reservada aos casos mais graves. Ciclosporina, azatioprina, dapsona, clofazimina, talidomida e micofenolato mofetil têm sido utilizados. Recentemente, o infliximabe foi empregado como tratamento alternativo. No caso presente, a  antibioticoterapia sistêmica resultou em cicatrização total das lesões e melhora do estado geral. A resposta clínica observada sugere que a intervenção antibacteriana pode exercer papel fisiopatogênico, em algum grau, no desenvolvimento do PG.

 

BIBLIOGRAFIA

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Pioderma gangrenoso: casuística e revisão de aspectos clínicos, laboratoriais e terapêuticos. An Bras Dermatol. 1999;74:465-72.

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